Lá vamos nós de novo
Tive uma pequena decepção e acho que escrever um pouco a respeito vai ser interessante. Eu sou uma pessoa que sente as emoções com intensidade, mas instalei um véu de racionalidade e razoabilidade por cima para não amargar. É um processo um bocado engraçado e ridículo. Explico:
Me senti abandonada e desimportante. A emoção mais entranhada, que começa a borbulhar, expressa: "Não sou prioridade pra ninguém e vou morrer sozinha nessa vida". Um vazio no peito e os olhos ameaçam aguar. Rapidamente a consciência identifica o desequilíbrio e sai para o resgate! "Oh, coitada, não vai entrar nesse buraco de novo, querida". E então intervém: "Olha só, você já parou para pensar que podem estar com a vida bem corrida?", "Mesmo se for descaso, e a Fulana que acabou de te mandar ideias de presente para o SEU pai, tamanho o carinho que sente por ti? Esqueceu que ela existe e está aqui contigo?". "E o Sicrano que vem perguntar como você está, com genuíno interesse em saber, todo santo dia?". É, ok, são bons argumentos. Assim fica difícil ficar puta de verdade.
A tristeza está lá dentro, mas a consciência faz o favor de me distanciar o suficiente para impedir que ela cresça e se transforme em um monstro. Haja trabalho interno para desenvolver essa dinâmica. Não é simples, mas o fato é que funciona. O que poderia virar uma noite profundamente melancólica - tendo em vista o meu histórico-, se transformou numa chateação e um post de blog. Já estou me sentindo bem melhor e, com um pouquinho mais de reflexão, me livro do desgosto residual.
Não que eu considere inválida a minha reação emocional mais rasteira. Ela é totalmente legítima. Mas, nesse momento, o que me apegar à esse sentimento poderia me trazer, além de mais sofrimento? Melhor deixar ir. Aprendizado essencial nessa vida é se deixar perpassar pelas emoções e não se identificar plenamente com elas. Estou no processo, é claro. Fácil falar, difícil fazer. Sinto e tento seguir em frente, pois sem tempo pra chafurdar na lama, irmão!
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