Garrafas ao mar

Maldição e bênção

Tenho um desafio grande pela frente: estabeleci um objetivo bem ambicioso. Leva-se em média 3 anos para atingi-lo e exige uma dedicação muito grande de tempo, foco absoluto nos estudos. Posterguei o quanto pude com medo de me comprometer e falhar nessa missão. Mas o coração quer o que o coração quer. Fazer o que? Aceita que dói menos, minha filha. Você já deu bastante volta nessa vida.

Uma vez que aceitei meu objetivo, comecei a me dedicar. No início foi uma experiência fantástica de redescoberta de interesses, de restauração da minha confiança intelectual - muito prejudicada, tadinha -, acompanhada de uma satisfação muito grande de sentir estar no caminho certo. Buscando aquilo que é meu. Mas não demorou muito para que se apresentassem muitos obstáculos para testar a minha vontade.

Não vou entrar nos tais obstáculos, pois o foco do texto não é esse. Basta saberem que comi uns pedacinhos de pão amassado por vocês sabem quem. Oh, que dó que eu tenho quando leio as passagens do meu diário nesse período. Uma verdadeira batalha espiritual, acrescida de uma surra material que só o capitalismo tardio poderia proporcionar. Não foi nada fácil e alcancei vários níveis de desespero. Mas não é que sobrevivi?

Aprendi a lidar com as tretas e hoje sou uma pessoa muito mais resiliente. Algumas das questões parecem ter sido resolvidas; já outras eu aceitei que não vai dar pra solucionar como gostaria por enquanto. Entendi que preciso viver de forma mais econômica para sustentar meus planos - quando eu digo econômica, é econômica mesmo. Complicado, meus amigos, mas estou disposta.

Meu grande problema no momento é que cheguei naquele ponto do vai ou racha. Consegui isolar boa parte do que me atrapalhava. As portas estão abertas e o caminho se abriu na minha frente (mais ou menos né, fui abrindo com facão e um bocado de suor). Não tenho mais desculpas, as circunstâncias externas seguem atrapalhando mas não bloqueiam totalmente a via. Sendo a adulta em desenvolvimento que sou, preciso infelizmente reconhecer que o negócio agora só depende... de mim.

Da minha coragem, da minha disciplina, da minha inteligência. Uma bênção e uma maldição.

Quadrinho da Mônica. No primeiro, ela está deitada na cama e diz:

Eu confesso que estou um pouco apavorada, como logo antes de ter começado a me dedicar pela primeira vez. Só que agora eu já sei que o tamanho do desafio é bem maior do que presumi inicialmente. O medo de fracassar volta a me assombrar.

Mas também sei que esse medo é um efeito implacável da inércia. Os primeiros passos oferecem muito mais resistência e estabelecer uma constância sempre foi uma dificuldade minha. Eu preciso é focar nessa disciplina e me agarrar nela com unhas e dentes. Torçam por mim!

Para encerrar, revelo que criação deste blog partiu de uma procrastinação profunda e arredia. Mas também de uma necessidade de compartilhar minha jornada com outras pessoas. Tenho vergonha de falar muito sobre esse processo e sinto que vai ser bom viver isso acompanhada de testemunhas. Seja para reclamar quando estiver difícil ou para celebrar a glória que há de ser alcançada.

Obrigada por isso!

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