Garrafas ao mar

Rigor

Sento pra escrever sem fazer muita ideia do que falar, só com a certeza de que despejar algumas palavras pra fora vai me ajudar a fazer sentido das coisas. Geralmente eu faço isso de forma manuscrita e totalmente privada, mas me lembrei que agora tenho um blog e senti vontade de compartilhar um pouco desse universo interno com vocês.

Estou meio perdidona, fora do eixo. Parece que a última semana passou em um flash e, justamente por nem ter conseguido registrar meus dias como geralmente faço, ficou a impressão de que nada foi feito. Ando meio no mundo da lua, inventando um monte de interesse novo diferente pra explorar - isso em detrimento de tudo o que eu realmente preciso fazer pra cumprir meus objetivos. Já comentei que vinha procrastinando bastante, só que chegamos em um outro nível nos últimos dias.

Há períodos em que identifico a necessidade de me aterrar de alguma maneira. Eu sinto como se vivesse flutuando por aí, me encantando pelo mundo e, quanto mais eu aprendo, mais me desligo da matéria. Só dou conta do quão longe viajei quando olho em volta e percebo de que estou sozinha, cercada de nuvens fofas, e a minha vida está lá embaixo a quilômetros de distância. É nesse momento que lembro da minha conta bancária no negativo e da pilha de boletos que preciso pagar daqui a duas semanas. Alguém precisa se mexer pra resolver isso, mas quem será?

Sei que sou privilegiada de não reagir à ameaça de endividamento com um nível de cortisol elevadíssimo. Tenho amigos com salário caindo na conta bonitinho todo mês, com grana investida pra dar entrada em apartamento num futuro próximo, e que se estressam muito mais com dinheiro do que eu. O espectro do capital assombra muito mais suas escolhas de vida. É, parando pra pensar, talvez por isso não estejam passando aperto. Ao contrário de mim, que vivo sem saber se dou conta de pagar tudo o que preciso no mês que vem, sem nenhuma reserva - talvez você já esteja com taquicardia só de ler essa frase. Meu senso de urgência é outro e, apesar de não entrar em desespero, eu sei que a situação é complicada e que deveria estar maluca correndo atrás de estabilizar a minha rentabilidade.

Por mais gostoso que seja viver nesse mundinho da lua, é preciso, depois de alguns dias de desvio, encontrar uma âncora para ir retornando à superfície terrestre. Sentir os grãos de areia sob os meus pés. Abraçar uma árvore, de repente? Preciso dar conta de um desafio enorme, e nem estou falando da minha insegurança financeira. Não é mole não. Necessito de uma rotina militar, sem nenhuma margem pra erro, por pelo menos três meses. Rigor é a palavra de ordem. Conseguem vislumbrar isso? Eu tenho muita dificuldade. Mas vamos lá, ainda é tempo.

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